
É uma doença autoimune, crônica em que o sistema imunológico destrói os melanócitos (células responsáveis pela produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele, cabelos e olhos).
Embora não seja contagioso, o vitiligo pode ter grande impacto emocional, principalmente quando atinge áreas visíveis como o rosto e as mãos por exemplo.
Pode afetar pessoas de qualquer idade, inclusive crianças.
Acomete aproximadamente 1% da população mundial.
A causa exata é desconhecida, mas sabe-se que fatores genéticos e emocionais podem estar envolvidos. Já os gatilhos ambientais (estresse, trauma físico na pele, queimaduras) embora não totalmente confirmados podem agravar e ou desencadear o vitiligo em pacientes predispostos.
Os pacientes com vitiligo também têm maior probabilidade de apresentar outras doenças autoimunes como: problemas de tireoide, anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12) e diabetes tipo I.
Quem sou eu?

Sou médica apaixonada pela dermatologia, minha atuação vai muito além de questões estéticas, priorizo também durante as consultas a prevenção, diagnóstico e tratamento de diversas doenças na dermatologia.
Meu compromisso é oferecer um atendimento humanizado, personalizado com ética e ciência promovendo saúde, realçando com naturalidade a beleza única e singular de cada pessoa.
Convido você a descobrir um momento de autocuidado melhorando sua autoestima ,saúde e bem estar através da dermatologia.
Tenho vitiligo! E agora?
Quando o vitiligo aparece as pessoas são confrontadas por dúvidas, medos ,preconceito e abalo da autoestima…
Eu, Dra Marcela estou aqui para te ajudar. Proporciono uma abordagem e atendimento individualizado.
Meu compromisso é oferecer tratamento com ciência, empatia e respeito porque cuidar da pele é também cuidar da autoestima.
Fatores indutores do vitiligo:
-História familiar: aproximadamente 20% dos pacientes tem pelo menos um ou mais parentes de primeiro grau com vitiligo e o risco de desenvolver vitiligo para parentes de primeiro grau de um paciente é 10 vezes maior em comparação com indivíduos não aparentados da população em geral.
-Doenças autoimunes: como na maioria dos pacientes o vitiligo é autoimune, acredita-se que outras doenças autoimunes também estejam relacionadas, como alopecia areata, diabetes mellitus, hipotireoidismo, doença de Addison, atrofia gástrica autoimune, artrite reumatoide, lúpus eritematoso, entre outras.
-Traumas: trauma térmico ,mecânico ,químico na pele ou queimaduras por exposição solar.
-Estresse psicológico: considera-se importante no surgimento e/ou progressão da doença.
Como o vitiligo de manifesta?


Aparecem manchas hipocromicas (brancas), mais claras que a pele normal, com forma e extensão variáveis, podendo se localizar no rosto, corpo, pelos da pele (incluindo sobrancelhas, cílios e pelos pubianos) e na área genital.
Com o tempo as manchas ficam ainda mais claras adquirindo tonalidade ” branco-leitosa” (acrômica)
A evolução das lesões infelizmente é imprevisível ou seja ainda não há nenhum critério clínico que oriente o prognóstico ou seja o vitiligo pode progredir, regredir ou “estacionar” de acordo com cada indivíduo.
Pode ser classificado em:
– Segmentar ou unilateral:
Manifesta-se apenas em uma parte do corpo, normalmente quando o paciente ainda é jovem e o prurido (coceira) pode estar presente em cerca de 20% dos pacientes.
Os pelos e cabelos também podem perder a coloração (leucotríquia).
Alem disso o vitiligo segmentar pode apresentar a forma unissegmentar ou seja uma ou mais máculas brancas são distribuídas em apenas um lado do corpo.

– Indeterminado ou misto:
Compreende o vitiligo focal e o vitiligo com envolvimento isolados de um sítio mucoso, e apresenta dois subtipos:
1-Focal: refere -se a uma mancha hipocrômica ou acrômica, de tamanho pequeno (10 a 15cm) ou também pode ser caracterizado pela presença de poucas manchas acometendo duas a três áreas corporais.
2-Mucoso isolado: ocorre quando há apenas o envolvimento de um sítio mucoso.
– Não segmentar ou bilateral:
É o tipo mais comum, manifesta-se nos dois lados do corpo, por exemplo nas duas mãos.
Em geral as manchas surgem inicialmente nas extremidades como os pés, nariz e boca. Depois há períodos de estagnação.
Esses ciclos ocorrem durante toda a vida, a duração dos ciclos e as áreas despigmentadas tendem a se tornar maiores com o tempo.

O vitiligo não segmentar pode se dividir em alguns subtipos:
Vitiligo generalizado: forma mais comum, envolve ambos os lados do corpo,pode iniciar em qualquer área corporal mas as mãos e face costumam ser os locais iniciais.
-Vitiligo mucoso: acomete os lábios e a região genital .
-Vitiligo universal: é a forma mais extensa da doença, envolve 80% a 90% da superfície corporal e normalmente ocorre mais na idade adulta.
-Vitiligo misto: é a ocorrência concomitante de viltiligo segmentar e não segmentar.
Voce sabia que existem variantes raras do vitiligo?
-Vitiligo puntiforme: as lesões se apresentam com “ pontinhos” despigmentados de 1 a 1.5 mm de diâmetro envolvendo qualquer parte do corpo.
-Vitiligo menor: forma rara, limita-se aos indivíduos de fototipo mais alto. Ocorre um defeito parcial da repigmentação à uma área restrita da pele.
-Vitiligo folicular: ocorre despigmentação nos pelos (leucotriquia), cabelos, cílios, sobrancelhas, corporais e pubianos.
Curiosidade sobre o vitiligo e doença ocular.

Você sabia que pacientes com vitiligo também podem apresentar doença ocular?
Sim!
E a anormalidade ocular mais encontrada é a Uveíte.
A uveite é uma inflamação da úvea que é a parte média do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coróide. Essa estrutura é responsável por nutrir o olho e controlar a quantidade de luz que entra portanto pacientes com uveíte podem apresentar: olho “vermelho”, dolorido e com sensibilidade a luz.
Se você tem vitiligo e sintomas oculares é importante conversar com o seu médico.
Como é realizado o diagnóstico de vitiligo?
– O diagnóstico é essencialmente clínico, geralmente as manchas hipopigmentadas tem localização e distribuição característica.
-A biópsia se for necessária revela ausência completa de melanócitos na área afetada.
-Exames laboratoriais (análise sanguínea) ajudam a revelar outras doenças autoimunes.
Diagnósticos diferenciais do vitiligo:
Realizamos diagnósticos diferenciais com outras doenças como:
– Desordens congênitas:nevo acrômico, nevo anêmico.
– Infecções: hanseniase, pitiríase versicolor.
– Malignidades:micose fungoide hipocromiante.
– Síndromes genéticas: hipomelanose de Ito, piebaldismo, esclerose tuberosa.
– Afecções inflamatórias: pitiríase alba, líquen escleroso.
Achados clínicos que podem estar associados à atividade do vitiligo:
– Despigmentação em confete-símile: corresponde ao achado de múltiplas máculas hipocromicas e/ ou acrômicas, de tamanho entre 1 a 5 mm de diâmetro, que tendem a ser agrupadas e localizadas na periferia de lesões maiores preexistentes.
– Mancha de vitiligo inflamatório: na margem da lesão de vitiligo ocorre um eritema (vermelhidão), descamaçao e a presença ou não de prurido (coçeira).
– Mancha de vitiligo tricrômico: caracteriza -se por uma área hipopigmentada (hipocrômicas) entre a pele normal e a pele totalmente despigmentada (acrômica).
Avaliação da capacidade de repigmentação do vitiligo:
Avaliamos a cor da mancha ou seja:
-Manchas hipocrômicas (mais claras que a pele normal): essas tem maior chance de repigmentar uma vez que há ainda melanócitos viáveis na epiderme.
-Manchas acrômicas (“muito brancas”): nesses casos precisamos avaliar a cor dos pelos ou seja quando há pelos pigmentados significa que existe ainda uma reserva de melanócitos que são capazes de migrar para epiderme e a chance de repigmentaçao é alta.
Já nos pelos despigmentados (brancos), ocorre a destruição da maior parte dos melanócitos resultando na baixa possibilidade de repigmentação.
Como é o tratamento do vitiligo?
Primeiramente exclui-se doenças eventualmente associadas (tireoide por exemplo).
1- Medicamentos tópicos:
– Corticosteroides: lesões localizadas podem responder ao uso de corticosteroides tópicos em soluções ou cremes. A repigmentação normalmente inicia-se após 3 ou 4 meses e pode ocorrer em até 50% dos doentes.
– Psoraleno: substância química natural, encontrada em diversas plantas. Sua principal característica é a fotossensibilização e estímulo da repigmentação.
– Imunomoduladores: são substâncias que modificam a resposta do sistema imunológico e estimulam a repigmentação.
– Análogos da vitamina D: são medicamentos derivados da vitamina D, modificados quimicamente e ajudam a estimular a repigmentação.
2- Fototerapia
– UVB narrow band: é a exposição direta da pele á luz UVB, de forma controlada (2 a 3x por semana), estimula a proliferação e migração dos melanócitos além de modular o sistema imunológico local.
A repigmentação pode iniciar após 3 meses de tratamento e os resultados são melhores em áreas como mãos, pés e articulações.
3- Excimer laser:
É outra modalidade terapêutica, a qual utiliza laser que emite radiação de 308 nm, podendo ser aplicado localmente nas lesões 2 x na semana.
4- Medicamentos sistêmicos:
– Corticosteroides.
– Psoralênicos.
– Betacaroteno.
5- Despigmentação:
Quando o vitiligo atinge área superior a 50% da superfície cutânea .
6- Transplante de melanócitos:
Usam-se enxertos de pele autóloga normal obtida por sucção, minienxertos ou cultura de melanócitos. São técnicas indicadas para lesões crônicas, estáveis, com resultados eventualmente satisfatórios.
7- Camuflagem:
São produtos cosméticos que permitem a camuflagem com excelentes resultados.
8- Suporte psicológico.
O objetivo do tratamento é cessar o aumento das lesões estabilizando o quadro e também estimulando a repigmentação da pele.
É individualizado e os resultados podem variar entre uma pessoa e outra.
Avanços recentes e pesquisas futuras:
– Nos ultimos anos, houve avanços significativos na compreensão dos mecanismos moleculares e imunológicos subjacentes ao vitiligo.
– Estudos tem explorado a aplicação de medicamentos biológicos que visam alvos específicos do sistema imunológico.
– Além disso, a identificação de novos biomarcadores também tem potencial para melhorar o diagnóstico precoce e personalização do tratamento.
Dicas essenciais para você que tem vitiligo:
– Use protetor solar todos os dias: a pele com vitiligo é mais sensível ao sol. Prefira FPS 50 ou maior e reaplique a cada 3 horas, além disso evite o sol entre 10h e 16h.
– Hidrate a pele diariamente: a hidratação ajuda a manter a barreira cutânea saudável.
– Cuide da sua saúde emocional: o vitiligo pode abaular a autoestima. Busque apoio psicológico, o emocional equilibrado ajuda na resposta ao tratamento.
-Mantenha uma alimentação equilibrada: alimentos ricos em antioxidantes (frutas, verduras, legumes) ajudam a proteger as células e reduzir o estresse oxidativo .
– Evite traumas na pele: pequenos machucados, atrito ou queimaduras podem desencadear novas lesões na pele.
Siga corretamente o tratamento proposto pelo seu médico (a).
Saiba mais: https://bvsms.saude.gov.br/